Os Cavaleiros do Zodíaco – Saint Seiya: O Começo, primeiras impressões do filme

Em primeiro lugar, foi melhor do que eu esperava que ia ser.

Em segundo lugar, esse é um review COM SPOILERS e o Sean Bean morre.

Então. O que se espera de um filme de Cavaleiros, né? Tem alguns clichês comuns que seria interessante de ter, mas no fundo no fundo ninguém sabe pra onde que esses roteiristas levariam essa história. Dragon Ball Evolution é um exemplo que virou até meme de tão fora de DBZ que foi. E daí temos Cavaleiros.

Imagem: Os cavaleiros de bronze

É interessante observar que os roteiristas são fãs de Cavaleiros. Porque tem vários detalhes que não são importantes, mas que são perceptíveis. Então o nome do primeiro cara que o Seiya derrota é Cassius. Mas ao mesmo tempo, os nomes de vários personagens foram alterados, como da Saori, que virou Sienna, e do Mitsumasa, que virou Alman e da Seika que virou Patricia. Não sei o motivo, mas a pessoa que legendou colocou Saori toda vez (hahaha). Descobri que esses são os nomes que esses personagens têm na série de animação 3D da Netflix, aquela que transformou o Shun em menina.

Tendo esses roteiristas que são fãs, já estabelece algumas bases legais. Então não existe a pretensão de realismo. Enquanto que em John Wick dá para contar bala, e até em filmes da Marvel você tem consequências pela explosão de um prédio, em Cavaleiros as balas acabam quando precisam acabar e tem uma perseguição de uma aeronave, que parecia ser de Star Wars, indo atrás de um carro que parece o tanque do Batman do The Dark Knight. Então… tem o “camp” normal de cavaleiros na verdade. Eu, particularmente, achei o nível de breguice muito adequado.

Menos! MENOS! NA PORCARIA DA PERUCA DA SAORI. MEUS AMIGOS. QUE PERUCA DE COSPOBRE. JESUS DO CÉU. ELA É HORROROSA, POR ATENA!

Suspiro.

Voltando aqui.

O primeiro ato foi o mais lento. Mas é compreensível, porque precisa estabelecer todos os personagens, suas motivações, a exposição do cenário e do sistema de magia… E eu acho que foi feito de uma forma bem OK. Tem até as frases clássicas, como a Marin falando que o universo é feito de átomos e o Seiya tinha que queimar seu cosmo para quebrar a pedra com os punhos. Até “os cavaleiros de Atena tinham socos que rasgavam os céus e chutes que abriam fendas na terra”. Muito bom mesmo.

Nostálgico, sabe? Então é “muito bom” com esse “level cap” (hahaha).

Imagem: Seiya (Mackenyu) e a Armadura de Pégaso.

Tem muita coisa nesse filme que isoladamente é meio ruim. Mas sendo de Cavaleiros só fica “Nossa! No anime é assim também!”, o que eu acho na verdade bem legal. Então o Seiya do anime é estabelecido como um “bad boy”, um rebelde, e é só vestir a armadura que ele vira “o soldado perfeito.” No filme colocaram significado nisso. A armadura só responde ao Seiya quando ele está realmente querendo ser devoto à Atena. O que também é um lore legal, como a luta contra o Máscara da Morte, que é tão mau que é abandonado pela Armadura de Ouro de Câncer no anime. Fez sentido.

Armaduras essas que estão… bem esquisitas. É perceptível que houve um esforço, mas eu não gostei do capacete de Pégaso. Nem do de Fênix. Se estamos nessa brisa da breguice sincera, o capacete sendo mais funcional não acrescentou em nada e deixou o figurino meio pobretão. Tem uns vilões de armadura que são meio capangas de tokusatsu e eu até entendo querer manter a estética de todo mundo, colocando uma armadura completa nos principais, mas ao mesmo tempo, ficou ruim. Mas também entendo querer fazer algo que se distanciasse do original de alguma forma. Meh. Pelo menos elas são medalhinhas que VIRAM CAIXAS ENORMES e daí de lá ela sai como o signo e envolve o cavaleiro tal qual as transformações de garota mágica que tinha em CDZ.

Seiya vestindo a armadura pela primeira vez no anime

Uma coisa que eu amei é que o cosmo é invisível. Os caras da computação gráfica mandaram muito bem. Quando você usa o cosmo DE ARMADURA ele tem luzinha e cores (tirando Atena, mas ela nem conta). E a constelação aparece por trás do cavaleiro quando ele está tentando fazer uma coisa específica. Eu gostei MUITO disso. (De novo, dentro da escala). E aviso importante, eles não falam os golpes. É só troca de soco e coreografias EXCELENTES. Meu Deus? Isso não é nem com olhar de nostalgia, as cenas de luta estão todas muito boas mesmo. “Mesmo com as constelações brilhantes no fundo?” Sim.

Imagem: Seiya com a constelação de pégaso às suas costas

O terceiro ato foi legal também porque mostrou vilão que era “vilanesco” mas achava que estava na posição de herói. A parte que eu mais gostei do vilão é uma questão que o filme todo trás que “você faz o seu próprio destino”, mas que no final o vilão praticamente faz uma profecia auto realizada (self-fulfilling prophecy) onde tentar impedir uma coisa de acontecer e faz com que aconteça. E até teve uns beats emocionais OK nesse filme entre o vilão e a Saori.

Tenho bastante coisa pra falar ainda gente, segue aí.

A Saori é uma “strong independent woman” mas ela fica presa num trambolho drenando o cosmo dela por um tempão esperando o Seiya salvar ela. É esse tipo de coisa que acontece que eu digo que é Cavaleiros. Mas ela foi construída para ser uma personagem além da Deusa e isso foi interessante. Em compensação, a Guraad (Famke Janssen) dá um socão lindo no Ikki. Teve um balanço legal de gênero e eu não senti que nenhuma personagem feminina era inútil ou desimportante.

O Seiya tem os traumas de ter perdido a Seika (irmã dele) e a edição sobrepôs várias coisas dela com a Marin e eu achei isso muito bem feito. A máscara da Marin estava IMPECÁVEL também. Meu Deus. Tem uma série de máscaras de teatro japonês que tem um formato específico que olhando de cima parece que a máscara está feliz e olhando debaixo parece estar triste, e a máscara da Marin FAZ ISSO! Aaaaaaaa muito muito boa a Marin. Ponto positivo aqui pro figurino do filme que não são as armaduras. As roupas da Saori estavam ótimas também (tirando a peruca).

Imagem: Marin

Agora… as críticas.

Uma leve é que tanto no filme quanto no original a relação do Seiya com a Saori é… esquisita. É aquele desenvolvimento mágico de autor de shonen. E esse filme enquadrou a relação deles como um flerte, mas com um peso genérico, que pode ser entendido como flerte entre crushes, ou entre amigos, ou até entre irmãos se zoando. Então tem uma cena em que perguntam pro Seiya: “Quem você quer salvar?”, e colocam a Marin, a Saori e a Seika ali. Foi meio ruim. Mas a Madison Iseman e o Mackenyu tem uma química de amigos maravilhosa.

O shipp do filme é entre o Alman e o Mylock. Vocês ouviram aqui primeiro.

Imagem: à esquerda Alman (Sean Bean) e Mylock (Mark Dacascos) a direita.

Outra crítica, essa é muito séria, não sei se foi do cinema que eu fui, mas a mixagem de som está muito ruim. Mas tipo, ruim mesmo. Tem uma cena em que o Seiya quebra uma parede e o som chega 2 beats depois. Vozes de personagens meio difíceis de ouvir, ou às vezes muito altas… um horror. E a trilha sonora… fraca. Eles tentaram colocar Pegasus Fantasy só nos momentos em que o Seiya está com a armadura e está em sintonia com os ideais de um cavaleiro. Mas foi feito de uma forma muito ruim. Não tinha bons temas musicais para nada e eu senti muita falta da estética que a trilha do anime tinha, dos riffs de guitarra dos anos 80. Senti falta do final ter uma música meio etérea também, com esse lance deles serem Os Sagrados Cavaleiros da Esperança. O melhor uso de música foi na cena introdutória do filme, que é a luta do Shura contra o Aioros, em que eu senti um arrepio, mas depois foi só meio meh.

Outra crítica é a edição. Que não está ruim, mas podia melhorar. A sequência de treinamento do Seiya podia ter dado uma agilizada, pois foi realmente a parte do filme mais arrastada. O filme tem tudo o que precisava ter, mas senti q ele podia ser uns 20 minutos mais curto.

Ponto positivo: direção.

A direção desse filme me surpreendeu bastante. As cenas de luta tem um tipo de câmera que me agradou imensamente. Não é “shaky camera” em que a câmera fica balançando pra parecer que as cenas têm mais ação do que tem, mas a câmera fica balançando pra criar uns ângulos holandeses (dutch angle) para ficar com um dinamismo que parecesse mangá. Colocando o foco no pé do cara, centralizado, e daí tirando esse zoom e colocando o pé num dos cantos inferiores da tela e inclinando o eixo para que o soco alcançasse o extremo oposto. Uns SOCÃO mesmo. Muito satisfatório isso. Achei criativo. Fazem isso bastante então é realmente uma escolha estética do diretor.

Imagem: Dutch Angle num filme da Marvel, mostrando uma linha de ação mais dinâmica.

Tem algumas outras coisas na direção que são escolhas de enquadramento de cena que são muito comuns em mangás. Principalmente alguns flashbacks e momentos de introspecção.

Outra coisa! Quando o Seiya realmente veste a armadura, ele perde todos os ferimentos. Porque é assim mesmo no anime. Achei fantástico.

Assisti ao filme com um amigo e tivemos opiniões divergentes sobre o Ikki. Ele achou meh, enquanto que eu gostei bastante dele. O Golpe Fantasma de Fênix foi bom, mas acho só que não deveriam ter mostrado o que o cara viu no pesadelo. O Ikki tem uma energia “big dick playboy” que eu achei que combinou.

Tem o Mackenyu sem camisa. Como tem de ser, afinal, é Cavaleiros.

Uma pseudo-crítica é que a Athena apareceu com o Báculo, mas ninguém deu nada pra ele né? Mas não sei se no lore dos filmes vai ter isso? Para os que não sabem, o cetro da Saori é a Deusa Nike, a deusa da vitória. Não. Não é uma representação da Deusa. É A DEUSA. That’s cheating. É roubado demais, tipo o enigma do milênio.

Imagem: Saori e a Deus Nike(?) – meu Jesus essa peruca é muito ruimmmmm

VC DISSE FILMES?

Sim, esse se chama “o começo” e estabelece que virão outros deuses e que “muitas crianças com cosmo foram largadas para trás”, provavelmente num orfanato. O que é ótimo, ainda bem que ninguém gosta da ideia fraca do Kurumada em relação à de onde ele tirou tanta criança.

Num geral foi um roteiro coeso, estabelece muito bem a lore que você precisa saber dentro do filme;

  • Um texto brega pra caramba, mas mais suave do que o anime original (O Seiya não fica repetindo tudo o que todo mundo fala, por exemplo);
  • A estética visual estava super engajante de assistir, com os momentos de animação 3D bem legais (O piorzinho desses momentos foi a luta do Seiya contra o Ikki, porque a armadura de Fênix é esquisita) e com o cosmo bonito de assistir;
  • Trilha sonora que podia melhorar;
  • Direção de arte muito maneira;
  • Bons ganchos para futuros filmes.

Pensando aqui, tem alguns filmes que queimam as reputações das pessoas, né? E eu acho que esse não queimou a de ninguém não. As atuações estavam todas bem OKk. Mesmo dos atores mirins. E o filme não é vergonhoso.

Por fim, só posso dizer que, como fã de Cavaleiros do Zodíaco, eu saí do filme estranhamente satisfeita.

7.5 de 10

 

Beijos de luz!

Essa matéria foi escrita por:
Hita Aisaka

Deixe um comentário